É possível esbarrar em muitos dados estatísticos durante poucas horas
de leituras de artigos e notícias na internet. Muitas vezes, os números
apresentados chegam até mesmo a ser conflitantes, o que acaba
confundindo muita gente. Além disso, há muita divulgação de dados
antigos que não se aplicam mais à situação atual, mas que continuam
sendo espalhados pelos quatro cantos.
Portanto, que tal conhecer um pouco das estatísticas furadas, mas em
que todo mundo acredita? Antes, um adendo: muitos dos dados a seguir se
aplicam apenas aos Estados Unidos. Mesmo assim, vale a pena conhecê-los.
Afinal, o que acontece por lá pode acabar servindo de previsão para o
que enfrentaremos no futuro.
1. Gravidez precoce continua aumentando
Muitas reportagens de TV falam sobre as taxas de gravidez entre
adolescentes, que já eram altas e continuam aumentando. Para justificar
esse tipo de estatísticas, muitos veículos culpam as novelas e as letras
de música com alto teor sexual. Mas, de acordo com matéria publicada
pela Discovery News, essa ideia é bastante equivocada, pelo menos nos EUA.
Fonte da imagem: ShutterStock
Dados enviados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, do
Centro Nacional Estatísticas de Saúde dos EUA, indicam o contrário: a
taxa de gravidez entre adolescentes é baixa e tem diminuído. O índice
caiu 6% em 2009 para adolescentes entre 15 e 19 anos, sendo o nível mais
baixo já registrado pela instituição. Desde 1990, a taxa já baixou
cerca de 39%, e a causa é o uso cada vez maior de meios contraceptivos.
2. Número de gays nos Estados Unidos
Essa é uma das estatísticas mais difíceis de serem calculadas. Os
motivos são vários. Para começar, é preciso escolher uma definição muita
rígida: serão considerados gays apenas os homens que se identificam
dessa maneira? Ou a pesquisa deve contar pessoas que tiveram uma relação
homossexual em qualquer momento da vida, apesar de não se considerarem
gays?
Além disso, o levantamento desses dados se baseia exclusivamente na
boa vontade e sinceridade dos participantes, que nem sempre se sentem
confortáveis em dizer a verdade ou simplesmente não se veem como
homossexuais.
Fonte da imagem: Ludovic Bertron/Wikipedia
Durante as décadas de 30 e 40, o pai da sexologia moderna, Alfred
Kinsey, estimou que 10% da população americana era composta por
homossexuais. O número foi amplamente divulgado, mas tem sido
contestado. O professor Joel Best, autor do livro “Damned Lies and
Statistics” acredita que de 3% a 6% dos homens norte-americanos já
tiveram relações homossexuais significantes em alguma etapa da vida.
Entre os adultos, o número cai para algo em torno de 1% a 3%.
Porém, em 2011, o demógrafo Gary Gates, do Instituto Williams de
Legislação e Política Pública de Orientação Sexual, concluiu que os
Estados Unidos possuem cerca de 4 milhões de homossexuais, representando
cerca de 1,7% da população.
3. Pessoas morriam antes dos 40 anos
É comum ouvir que, antigamente, a expectativa de vida era muito
baixa, com nossos antepassados morrendo antes de completar 40 anos, não
muito tempo atrás. Para muitos, isso explicaria, por exemplo, o fato de
que muitas mulheres se casavam quando ainda eram adolescentes. Afinal,
com uma expectativa de vida tão baixa, é melhor começar logo a
continuidade da família.
De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos EUA, a
expectativa de vida para os homens de 1907 era de 45 anos, tendo subido
para 66 anos em 1957. Mesmo assim, isso não significa que era raro
ultrapassar essa marca.
De acordo com o artigo publicado pela Discovery News, a inclusão de
altas taxas de mortalidade infantil para o cálculo é que deram a
impressão de que a expectativa de vida era baixa demais.
4. Terroristas x Casamento
Uma estatística muito furada e amplamente divulgada nos Estados
Unidos diz que uma mulher solteira acima dos 40 anos e com ensino
superior tem mais chances de ser assassinada por um terrorista do que de
casar.
Fonte da imagem: Jeff Belmonte/Wikipedia
Mas, de acordo com o site Snopes.com, essa informação surgiu da má
interpretação de uma pesquisa que dizia que mulheres acima dos 40 anos
têm 23% de chances de casar, e não 2,6%, como muitos divulgaram. Além
disso, essa é uma estatística muito difícil de calcular, tendo em vista
que existem muitos fatores envolvidos nessa situação, como a
possibilidade de que muitas mulheres nessa idade estão em
relacionamentos longos e felizes, mas não casadas no papel.
5. A alma humana pesa 21 gramas
Essa é uma informação divulgada por anos e, provavelmente, a mais
estranha desta lista. Em 1907, o Dr. Duncan MacDougal, de Massachusetts,
resolveu conduzir um experimento ao pesar seis pacientes terminais
antes e depois de suas mortes. Os resultados variaram e alguns até foram
descartados, mas mesmo assim ele concluiu que o corpo ficava, sim,
alguns gramas mais leve. Mais precisamente, cerca de 21 gramas.
É claro que o estudo levantou controvérsias e, logo em seguida,
análises dos métodos usados pelo médico revelaram diversas falhas, como o
uso de balanças mal reguladas. Além disso, há diversas razões para essa
possível diminuição do peso após a morte, como a eliminação de gases e
até fluidos. Mesmo assim, pessoas que acreditam na existência da alma
humana continuam citando essa pesquisa “científica” até hoje.


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